Seca severa vs. passagem de um comboio de tempestades - Harry, Ingrid, Joseph, Kristin e Leonardo (INFO 3 >>)
A época do ano em que o território português se encontra é típica a instabilidade do estado de tempo atmosférico, frequentemente afetado pela passagem sucessiva de superfícies frontais, fruto da descida em latitude dos centros barométricos dinâmicos, aqui fazendo-se sentir mais a ação da Depressão da Islândia, uma vez que o Anticiclone dos Açores se posiciona mais a sul. Assim, os episódios de precipitação abundam e como tal, o mau tempo é mais frequente.
Contudo, anomalias atmosféricas surgem tanto pela secura como pelo excesso de água, gerando problemas diversos na dinâmica diária das populações.
Conforme, foram efetuadas neste blogue diversas publicações (Todo o país está em seca e situação não apresenta sinais de mudança, 01/02/2022; Quase todo o território em seca severa em maio, o mais quente desde 1931, 15/09/22; Entre a sede e a vontade de beber: um retrato da seca no sul do país e A situação de seca em Portugal, 30/6/23; A seca no Algarve causa um cenário de crise na região, 31/1/24), Portugal teve entre 2022 e 2024 um período de seca (extrema) que foi obviamente preocupação nacional e mereceu medidas preventivas que visaram a preservação do uso hídrico nas regiões mais afetadas.
Desde 1 de setembro passado, iniciou-se a época 2025/2026 de tempestades extratropicais na Europa e a lista é conhecida e os critérios, bem como as finalidades são divulgadas no Instituto Português do Mar e da Atmosfera - IPMA (INFO 1 >>) e surgem associadas aos avisos laranja ou vermelho.
Mas, é facto que estamos (Europa) perante um comboio de tempestades (INFO 2 >>) desde 22/1, provocado por severas depressões meteorológicas consecutivas no continente.
Assim, uma série de tempestades seguem uma trajetória com precipitações intensas, geradoras de inundações por ineficácia dos sistemas de drenagem face a anormal abundância de água em circulação.
A tempestade mais recente (Kristin, um ciclone bomba, extratropical, também designado de sting jet INFO 3 >>) trouxe a Portugal contextos dramáticos sobre diversos distritos, com Leira a ser o mais problemático.
A depressão gerou na costa intensa agitação das águas, com ondas de 7 a 14 metros de altura e deixou milhares de pessoas sem luz, arrancou árvores telhados, fechou escolas, destruiu infraestruturas, designadamente elétricas (afetando 5 000 kms de redes de média, alta e muito alta tensão), bem como, onze pessoas morreram.
Portugal está mais uma vez em situação atmosférica difícil e a chegada da tempestade Leonardo, com chuva duas a três vezes acima da média, algo que sobrecarrega o quadro meteorológico gerado pelo Kristin, onde a drenagem e escoamento das águas é difícil pela saturação dos solos e das linhas de água, pelo que os contextos de inundações serão agudizados e onde a pressão sobre as albufeiras e barragens são mais um problema a acrescentar a este cenário.
José Carlos Costa
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