A pesca em Portugal
Rúben Raposo Professor na Universidade Lusíada de Lisboa INFO 1>>
“Portugal apresenta uma
vasta Zona Económica Exclusiva, embora a sua plataforma continental limite o
acesso a recursos piscícolas.
A redução progressiva das
capturas é evidente, com destaque para espécies como cavala, sardinha, carapau,
atum e polvo no Continente, enquanto nos arquipélagos sobressaem os tunídeos,
peixe-espada preto e carapau.
A aquacultura, apesar de
representar apenas cerca de 11% das descargas de pescado, registou um
crescimento de 89% na última década, sendo dominada pela produção de bivalves,
peixes e algas.
Em contraste, a frota
pesqueira portuguesa enfrenta desafios devido à sua dimensão reduzida e
envelhecimento, dificultando a rentabilidade perante recursos escassos e custos
elevados. Portugal destaca-se pelo elevado consumo de pescado per capita na União Europeia e a nível
global, mas regista um défice estrutural no comércio externo devido à redução
contínua das capturas e à procura interna crescente.
O sector das pescas
contribui marginalmente para o PIB (0,1%) e o emprego (0,3%), concentrando- se
sobretudo em comunidades costeiras, como no Algarve e Açores, que dependem
fortemente da actividade.
Por fim, a indústria de
transformação, composta por pequenas e médias empresas, tem nas conservas em
lata um dos seus principais produtos e conta com uma predominância de
mão-de-obra feminina.”
José Carlos Costa