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terça-feira, 28 de abril de 2026

 

Reinado de Orbán chega ao fim. Péter Magyar eleito novo primeiro-ministro da Hungria INFO 1 >>

Fonte: cnn.com (adaptado) e jornaldenegocios.pt

No passado dia 12 de abril, realizou-se eleições legislativas na Hungria, Estado-membro da União Europeia (UE) desde 2004. Nestas eleições foi derrotado Viktor Orbán, no poder desde 2010, pelo líder da oposição, Péter Magyar, que juntou numa plataforma partidária apoios de toda a oposição da Hungria. Esta vitória foi expressiva, evidente no número maioritário de votos do partido Tisza (superior a três milhões), bem como no número de deputados conquistados (mais de dois terços do parlamento), face ao partido derrotado, o Fidesz. A participação dos eleitores próxima dos 80% é reveladora de uma mobilização nunca antes vista no país desde a sua rutura com a União Soviética (URSS), em 1989.

Fonte: youtube.com (adaptado)

Um dos muitos motivos que justificam esta alteração política prende-se com a ação governativa do atual primeiro-ministro nos últimos 16 anos, que tornou a Hungria a única “democracia iliberal” da UE.

As sucessivas maiorias qualificadas do partido Fidesz permitiram a Viktor Orbán usufruir de uma arbitrariedade constitucional sem limites. Algumas das suas políticas iliberais passaram pela “fidelização” da administração pública, concentrando o poder no governo das empresas do Estado, das entidades reguladoras e até dos tribunais fiscalizadores da sua ação. Isto proporcionou uma maior facilidade na corrupção no Estado, evidente nos vários casos descobertos no final deste último mandato.

Outro tipo de práticas não democráticas adotadas pelo governo do Fidesz foram as limitações na liberdade de imprensa, nomeadamente no controlo da divulgação de notícias pelo governo, e a limitação dos direitos das mulheres, relacionado com o aborto e a vida familiar, e dos direitos das minorias LGBTQIA+INFO 2 >> INFO 3 >>

Esta ação política afetou severamente a relação da Hungria com a UE. O país, desde 2004 a 2026, recebeu um total de 80 mil milhões de euros, tornando-se um dos países que recebeu mais benefícios comunitários, representando cerca de 3 a 4% do PIB total húngaro. No entanto, estes fundos foram gradualmente diminuindo, por conta do incumprimento de diretivas comunitárias e, sobretudo, dos tratados da União, que visavam o respeito pelos valores da democracia e dos direitos humanos. Em resultado, a Comissão Europeia em 2022/2023 congelou cerca de 21,9 mil milhões de euros de fundos, avisando (final de 2024) o país da necessidade de fazer reformas políticas se quisesse continuar a recebê-los.

Não obstante a pressão de Bruxelas, a narrativa política mantida, colocou o país cada vez mais afastada da UE e dos seus valores democráticos. Muitas vezes não chegavam a um acordo e por conta da política de unanimidade, bastava um voto contra, para a decisão ser vetada. A Hungria de Viktor Orbán era um caso recorrente, havendo momentos em que era necessária a sua ausência forçada do Conselho Europeu (CE) para a tomada de decisões. A aproximação com a Rússia e os insultos face à organização europeia, agravavam cada vez mais a sua relação com os líderes europeus.

Um episódio recente, foi a passagem de informação das reuniões do CE para o governo russo, confirmado pelas acusações do primeiro-ministro polaco, Donald Tusk, que causaram uma onda de choque e indignação no seio da UE, bem como nos eleitores húngaros.

Péter Magyar, teve um percurso gradualmente complicado nas eleições a primeiro-ministro e a forma encontrada para contornar o controlo estatal foi o recurso às redes sociais, onde conseguia captar principalmente os jovens.

Uma das suas propostas é a reaproximação à UE e os futuros acordos que pretende fazer, como o descongelamento dos fundos comunitários e o cumprimento das normas europeias, através da revogação das políticas iliberais do seu antecessor, e o afastamento decisivo da influência política Russa. Esta vontade não é só de Péter Magyar mas também da população, que se sente intimidada pela influência da Rússia e da situação atual da Ucrânia.

Péter Magyar compara esta vitória e mudança do “Regime de Orbán” com a Revolução Húngara em 1848 e a revolta contra o regime soviético em 1956, sublinhando a profunda importância histórica deste momento para o país. Também usa uma famosa frase do falecido presidente John F. Kennedy que diz “Hoje nós ganhamos porque a população húngara não pediu o que o país podia fazer para eles, mas o que eles podiam fazer pelo país”.

Fonte: dhm.de/lemo/ e malaymail.com

Concluímos com este trabalho, que, a União Europeia ainda se consolida como uma comunidade de democracias unidas, e mesmo envolvida em ascensão de partidos de extrema direita que se opõem aos seus valores, recorrendo ao discurso de ódio e ao populismo, não se deixa abalar, cumprindo sempre com o pilar central da organização enquanto forma de governo: o regime democrático.

Francisco Rocha (06 - 12G) 

Rodrigo Sousa (19 - 12G)

António Leite

José Carlos Costa




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